sexta-feira, 14 de junho de 2013

José Rentes de Carvalho

Pois é, pois é, ou muito me engano, ou este "O Rebate" é o melhor livro de um português que leio desde o saudoso Fado Alexandrino do António Lobo Antunes (um autor que, de resto, hoje em dia não consigo ler) e o Ano da Morte de Ricardo Reis, do Saramago. Estou muito feliz, dizer mal também cansa. Às tantas, podia pensar que o problema era meu. Sim, porque me indigna um pouco a facilidade com as pessoas assumem um "não gosto" a propósito de comidas e sabores, como se o "não gosto" fosse algo estático. "Não gosto de queijo", "não gosto de vinho", "não gosto de azeitonas"... como pode alguém viver sem gostar de queijo ou vinho ou azeitonas e ainda por cima declarar o seu referencial orgulhosamente? Como pode afirmar que no seu universo, o queijo e o vinho são coisas de que não se gosta e que nunca se vai gostar? Ultrapassa-me completamente. Eu também não gostava de vinho, hoje em dia o problema é, talvez, gostar demasiado dele. Não oiço  jazz, a não ser quando estou a cozinhar, porque me dá a sensação de ser sofisticado, relaxa-me e soa bem com o crepitar do refogado. Então quando digo a alguém "não gosto de jazz", é com uma certa mágoa e vergonha, predisposição para aprender... Uma vez ofendi um melómano ao confessar-lhe que ouvi Chet Baker pela primeira vez ao preparar um frango de caril. Mas voltando à escrita, ou neste caso, a leitura, não, pensando melhor, vou ler tudo primeiro. E ainda vou comprar o "Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia". Só não o comprei na feira porque decidimos chamar Júlia à nossa bebé e esta coisa de ver um livro em que se vão abordar os seus lindos braços, enfim, estou mesmo a ver que há ali história de amor e eu não queria cá confusões com os braços da minha filha. E também não quero que ela vá para ciências farmacêuticas. Se se chamasse "os lindos teoremas da Júlia do laboratório engenharia da Nasa", bem, aí...

13 comentários:

A Chata disse...

Algum problema com as ciências farmacêuticas? Hhmmmm? :p

Patrícia disse...

Tenho o Ernestina para ler, para já leio Mentiras e Diamantes. Estou a gostar bastante.

Que pena ter sido ignorado por cá durante tantos anos.

Pedro Góis Nogueira disse...

Eu cada em livro do Rentes caiem-me os queixos. Comecei pelo genial "La Coca" suficiente só por si para se tornar para mim o escritor português preferido e de eleição. Depois o "Mentiras e Diamantes" que ainda é mais forte e potente, um portento de romance. Estou agora com o "Tempo Contado" que é o único diário que li na vida que se lê como um romance. Tenho também da feira o "A Amante Holandesa", o Rentes diz que o melhor de todos é o "Esnestina" que também está na lista. Enfim, acho que vou limpar tudo :)

Tolan disse...

Nenhum problema com as pessoas das farmacêuticas --> CHATA <-- *wink wink*

Patrícia, é verdade, mas só nós é que ficámos a perder, ele teve e tem reconhecimento de sobra noutras paragens.

Pedro, vou certamente ler mais dele. O meu primeiro "contacto" foi há 1 ano, ouvi uma entrevista no rádio, longa, e fiquei no carro a ouvir até ao fim, depois de estacionar, muito feliz por haver uma pessoa assim a dizer aquelas coisas daquela maneira.

São João disse...

Um escritor português? E que ainda está vivo? Estás grávido Tolanito, isso deve ser das hormonas :P

JM disse...

Escritor fantástico. Maduro e com uma longa vivência. Um conhecimento profundo do mundo.Talvez por se ter ido embora cedo.Esquecido entre nós.

( não sei como há blogs e facebooks de outros escritores com milhares de seguidores e o Tempo Contado de JRC ali apenas com meia dúzia de indefectíveis.)

André disse...

Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia é muito bom, como todos os outros livros do J. Rentes de Carvalho. Quanto ao conteúdo do mesmo, não vou falar, porque teria que te informar que os Lindos braços da Júlia da Farmácia ocupam poucas linhas na totalidade do livro... Quanto ao melhor (ainda não li o último, Mentiras & Diamantes), para mim é sem dúvida Ernestina. As crónicas (Mazagran...) são também muito, muito boas. E Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia - se tivesse que escolher o top 3, seriam estes. Mas estaria a ser injusto com todos os outros...

(Quando "descobri" Rentes de Carvalho, já não esperava encontrar nada tão bom na Literatura Portuguesa...)

M D Roque disse...

Bem, parece que está decidido : Rentes para as féria....

Anónimo disse...

Boa noite Tolan. Ainda se lembra em que programa ou estação de rádio ouviu essa entrevista de que fala? Gostava de a ouvir. Estive à procura e encontrei uma que Rentes de Carvalho deu ao Pessoal e Transmissível, mas em 2011. Será essa?

André disse...

Anónimo, aqui pode ver a última entrevista de J. Rentes de Carvalho: http://thoughloversbelostloveshallnot.blogspot.com/2013/06/entrevista-jose-rentes-de-carvalho.html

Tolan disse...

Anónimo, desculpa só ter visto agora o comentário. A entrevista é mais recente, mas também não a encontrei. Tinha ideia de ter sido na Antena 1 mas não tenho mesmo a certeza.

Anónimo disse...

O J.Rentes é o melhor escritor português vivo! :) tem um blog: tempocontado.bolgspot.com

sou fã há muito tempo e só não li o último. Os lindos braços da Júlia sao contos. Pode ficar para o fim porque não é dos melhores...

SEVE disse...

Sem dúvida que o J. Rentes de Carvalho é o melhor escritor português (vivo).

Estou a acabar de ler "Pó, Cinza e Recordações" e naturalmente que estou a gostar, contudo é inadmissível que, ao longo das suas páginas, tenha inúmeras frases em inglês -algumas longas- e não tenha (em rodapé, por exemplo) a respectiva tradução -considero um desrespeito pelos leitores, pois nem todos sabem inglês-.

Iniciei-me "COM OS HOLANDESES" e tenho-os lido quase todos (falta-me um ou dois).